Eletrocão – O cão que não polui

O Projeto Eletrocão

Eletrocão é sem dúvida o único nome que a criatura poderia ter. Ontem mesmo cheguei em Tóquio, depois de uma extenuante viagem. Com tanta coisa interessante para se fazer em uma cidade como esta, tenho apenas uma coisa em mente: conhecer pessoalmente este animal que é de carne e osso mas que se alimenta de eletricidade.

Há alguns meses que fiquei sabendo dessa inacreditável notícia. Nasceria de uma cadela comum um cãozinho incomum, elétrico. A pesquisa seria produto de um frutuoso intercâmbio científico entre universidades canadenses e japonesas. Após dois anos de muitas teorias e experiências, finalmente, os cientistas decidiram executar o projeto em solo japonês. Pelas minhas contas, o eletrocão tem agora em torno de cinco meses de idade.

Kumiko Mori, a “dona”, por assim dizer, do eletrocão, é uma japonesinha muito simpática que me recebeu no hall do hotel, com o bichinho na coleira. Ela disse sorrindo que o Eletrocão seria o único cachorro do mundo a quem era permitido circular por aquelas luxuosas dependências, já que não urinava nem defecava.

Encontro com Kumiko

– Come, sweetie, come here! O extraordinário cachorro vinha então abanando o rabo todo contente. Kumiko disse então que a bateria do cachorro estaria para acabar, e que a entrevista deveria ser breve. Assim foi nossa conversa:

– Kumiko. Como o eletrocão funciona?

– Ele é, aparentemente, um cachorro comum. O Eletrocão não funciona, ele vive, na verdade. Todavia, nosso eletrocãozinho é geneticamente modificado. Ele não se alimenta de ração, mas sim de eletricidade. O estômago dele tem mais dobras que o normal, e lhe serve de bateria. É muito simples: o ácido clorídrico do estômago do eletrocão armazena eletricidade.

– E como você o recarrega? Pelo ânus? Realmente…

– Não! Esta é a parte mais difícil. Ele dorme numa casinha magnética. Às vezes, principalmente quando ele fica muito feliz, e abana demais o rabo, gasta a energia toda e desmaia. Este é um problema que pretendemos resolver. Talvez se ele não abanasse tanto o rabo… Mas enfim. Quando isto acontece, não há outro jeito. Pego-o no colo, e o deito em sua caminha. Ligo por fim o campo magnético e em cinco horas ele está pronto pra outra.

– Sabe o que acho mais incrível, Kumiko? Ele absolutamente não faz cocô!

– Nem xixi.

– Infelizmente ele custa muito caro, e por isso ainda não está à venda. Gastamos milhões de dólares com o Projeto Eletrocão. No futuro, é o que esperamos, as crianças poderão ter seus cachorrinhos sem que seja necessário ficar catando cocô no quintal.

– Muito bom, Kumiko! Parabéns pela iniciativa. Acho que o cachorro morreu!

– Ele apenas desligou. Pois bem. Tenho que ir agora. Você pode comprar na internet um retrato do Eletrocão, na PASSASTORE, a loja virtual do Passarinho Colorido. Colabore com nossa importante pesquisa!

– Obrigado. Obrigado. Sayonara.

 

 

 

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